Mamãe precisa dar conta

 RyanMcGuire/ Gratiosgraphy

RyanMcGuire/ Gratiosgraphy

Eu fiz cá comigo a promessa, que podemos chamar de “promessa de ano novo”, de não perder o ritmo. De escrever toda semana, de trabalhar direitinho nos meus projetos, de fazer sistematicamente aquilo que é importante pra mim (e não só o que é bom pros meus dois meninos). Tenho aqui um discurso pronto, lindíssimo, sobre o quanto é fundamental cuidar de mim, e não deve ser nada que você nunca tenha ouvido. Mas chegou mais uma terça-feira, são 20h48, e eu acabei de sentar na frente do computador. Não tenho texto pronto e comecei esse sem saber onde vou chegar. Podia ignorar minha promessa, que era um segredo bem guardado até agora, mas ela está tão fresquinha, né? Permita-me tentar.

Eu estaria uns 20 minutos mais adiantada se o meu computador tivesse ligado como deveria, e mais ainda se a hora do banho não tivesse se transformado na hora da palestra da mamãe sobre a importância de fazer a nossa parte. Teria sentado aqui mais cedo se o pequetito não tivesse empacado no meio dos corredores do supermercado, se não tivesse se recusado a andar porque eu disse que não ia comprar mais um brinquedo. Eu poderia ter escrito de tarde, mas passei a tarde andando no comércio do centro da cidade, suando neste calor de janeiro, atrás de uma caixa de plástico com a exata medida que a escola pediu. Parece que as medidas escolhidas pela escola não são as preferidas pelo mercado de plástico no Brasil, e eu não sei se vai caber aquilo que, sabe-se lá, precisa caber ali.

Eu poderia ter escrito já um terceiro parágrafo, se as brincadeiras de luta deles em cima do sofá não flertassem a todo instante com a discórdia, se não representassem eventualmente um risco de enforcamento e se, quem sabe, não provocassem, invariavelmente, uma gritaria a cada dez minutos. A manhã teria sido suficiente, é claro, se eu não tivesse que colocar a roupa em dia, se não tivesse acumulado serviço no fim de semana em que saímos pra passear de bicicleta como eles tanto queriam. Seria tranquilo se eu tivesse quem fizesse a comida pra gente, mas eu ando queimando o meu arroz, literal e metaforicamente - quase todo dia, aquela sapecadinha de leve, e não é porque eu não saiba cozinhar. É porque cozinhar, meus queridos, cozinhar e mais nada, é luxo, é ostentação máxima pra uma mãe com duas crianças de férias (e será também quando fevereiro chegar).

Eu poderia dar a sorte de encontrar uma foto rapidinho e fazer esse post agora mesmo, quando passaram poucos minutos das 21h, mas eu preciso levar os dois pra escovar os dentes, preciso colocar na cama, ler uma história, e isso pode nos levar pra perto das 23h. Isso me preocuparia muito, mas, pensando bem, pode ser que você nem possa mesmo ler esse texto antes dessa hora, né? Ou pode? Então, me diz: como é que você faz?

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PS em 17/01 - Ué, você está lendo esse texto em plena luz do dia? Hum... Deixa eu adivinhar: bem cedinho, antes de todo mundo acordar? No caminho pro trabalho? Naquela fugidinha estratégica pro banheiro?  ;)

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