#mãedecriança e ponto

 Jhhymas via VisualHunt.com

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Escolhi há uns meses uma foto do meu dia a dia de mãe e, entre outras coisas, escrevi lá: #mãedemenino. E já ia postando, muito espontaneamente, toda entrosadinha com a web, quando resolvi parar para pensar. Que que eu quero dizer com isso? Que diabos é ser mãe de menino? Isso me difere da mãe de menina sob que aspecto? Como eu ajudo a mim, ou aos meninos, ou às meninas, ou às outras famílias, quando fico fazendo questão de marcar diferença? Aí deletei a # e passei a prestar a atenção nisso.

Mais recentemente, vi uma moça, cheia de carinho, parabenizando uma amiga que, depois de ser mãe de uma menina, está agora grávida de um menino. Ela dizia: “você vai conhecer o mundo azul.” Pois eu, que também fiquei feliz pela nova gravidez da moça, fico torcendo é para que o mundo do menino dela seja muito colorido. Obviamente que sei que estamos falando de convenções, e que não é uma palavra que vai definir isso, mas a gente sabe do poder da palavra, e eu não tenho dúvidas de que está na hora da gente cuidar também do que diz (e do que escreve).

A mãe de menino e a mãe de menina são, no fim das contas, mães, e vivem seus desafios, alegrias e aprendizados da mesma forma. Crucial é compreender que cuidar de uma criança pode te levar para mundo absolutamente diverso, múltiplo, com nuances de todo tipo, e que limitar isso é ruim pro nosso crescimento pessoal e, principalmente, para o desenvolvimento das potencialidades da própria criança. Não estou falando das cores do quarto do bebê. Estou falando das brincadeiras que se oferece, das histórias que se conta, das oportunidades que a criança tem, e merece ter, na primeira infância. Se a gente rotula, se a gente enquadra em um grupo x ou y, com essas ou aquelas características, gostos e expectativas, a gente diminui as possibilidades, a gente diminui o horizonte - quando o nosso papel é o contrário.

Meninos e meninas têm diferenças biológicas, eu sei, e outras tantas que a biologia, somada ao tipo de sociedade em que a gente vive, os conduz a ter, e eu não estou questionando isso. Estou questionando o rótulo. O brinquedo de menina versus o brinquedo de menino. As cores de menina versus as cores de menino. As habilidades de menina versus as habilidades de menino. O mundo rosa versus o mundo azul. Esta semana, meu marido foi levar as crianças na escola com uma camisa de malha rosa e, na porta da sala, um menino de 4 anos perguntou pra ele: “por que você está com essa blusa?” E só existe uma justificativa para o estranhamento dele: alguém ensinou assim.

Voltando à # (que nada mais é que uma desculpa pra tocar nesse assunto), claro que sei o que queremos dizer quando usamos essas expressões, mas as justificativas para elas estão carregadas de suposições e preconceitos que não beneficiam em nada as crianças. Uma pessoa não tem um comportamento assim ou assado só porque é homem ou porque é mulher, e isso fica claro quando se tem mais de um filho do mesmo sexo. Essa diferenciação é uma construção cultural, e a gente pode, sim, escolher como lidar com ela.

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