Ano novo e feliz!

 Jonathan Kos-Read

Jonathan Kos-Read

Estávamos conversando, eu e meu filho, quando ele concluiu, com leveza e seriedade: “no ano que vem vai ser diferente”. Ele se referia à grande mudança que vai viver na escola - que talvez seja sua primeira grande mudança consciente, já que nem do desmame, nem do desfralde, e nem exatamente da chegada do irmão ele se lembra com clareza. Em 2016, a maior parte dos seus colegas de turma seguirá para outras escolas. A despedida do que o fez feliz ao longo de 2015 já doeu, ele já reclamou de saudade, com todas as letras, e talvez seja exatamente isso que o permite, agora, trocar a reclamação pelos planos pra vida nova: "fulano, ciclano e beltrano vão continuar comigo, e nós vamos ter um monte de novos amigos". 

Ver um ciclo se fechar não costuma ser confortável, mas a naturalidade de uma criança para olhar pra frente me traz uma importante lição - mais uma, diga-se de passagem. Eu nunca quis que ele estivesse parado, nunca quis o segurar onde está, por mais encantadora que seja cada fase. É lindo o ver crescer, é comovente o ver lidar com sua saudade, e é fantástico ver um novo ciclo se abrir. Andar pra frente é o que dá tanta beleza à vida dele, e o que dá sentido pra minha. Ele já não quer ficar no colo como queria, mas isso é bem mais rico que triste. Ele já não precisa que eu tire a camisa dele, e isso o deixa bem mais orgulhoso do que atrapalhado. Ele não terá em 2016 a mesma rotina que teve nestes últimos meses, e isso é bom.

A oportunidade de nos despedir do que deixamos - ou precisamos deixar - pra trás para acolher verdadeiramente o porvir está aí a todo momento, mas ganha uma força diferente às vésperas de um ano novo. Torço para que eu consiga me alimentar dessa pureza infantil ao olhar adiante e pra que eu consiga fazer de 2016 um ano novo, e feliz, e único, sem apego ao que pertence ao passado. Torço pra que eu tenha sabedoria para abraçar o que virá. Dois mil e quinze, a título de exemplo, começou pra mim de ponta cabeça, me obrigando a encerrar um ciclo de 11 anos de trabalho, me forçando a mudar de assunto, de rota, de rotina. E adivinhe só! Se não tivesse sido assim, eu não teria aprendido tanto e talvez não tivesse hoje a oportunidade de escrever pra tanta gente sobre algo tão indiscutivelmente relevante: nossas oportunidades de aprimoramento. Feliz ano novo! 

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