Feliz mãe de verdade

 Lizzie Guilbert/Gratisography

Lizzie Guilbert/Gratisography

A versão mágica e quase divina das mães é frequentemente lembrada nos textos feitos pra celebrar esta data. Você certamente já viu algumas dezenas deles, com insinuações de que mãe está acima de tudo e de que nós exercemos a mais valiosa das funções. Sim. Isso muitas vezes me emociona, e, às vezes, me sinto mesmo mágica, superpoderosa... De fato, é difícil imaginar uma missão mais grandiosa do que conduzir a formação de uma pessoa, acompanhar seu caminho em busca de todas as suas potencialidades. É, sem dúvida, a experiência mais enriquecedora e transformadora que eu já vivi. Mas ainda acho que falta alguma coisa. Acho que falta, neste Dia das Mães, celebrarmos a humanidade de todas nós e nossas evidentes limitações.

É daí, das limitações, e da forma com que lidamos com elas, que nasce a mais linda parte do nosso trabalho: a construção. Não, nós não somos superpoderosas, muito menos estamos acima do bem e do mal. Pelo menos não pelo simples fato de termos parido. Amor de mãe não é, pra mim, um dispositivo acionado automaticamente quando um óvulo é fecundado. Amor de mãe é construção, é vínculo, e definitivamente, não depende de uma gestação. Não faltam exemplos pra provar. Tão pouco pode, esse amor, ser garantido por uma gestação. E também não faltam exemplos pra provar. 

A construção do amor de mãe, do amor que dá sentido a esta data, se faz diariamente, no mesmo passo em que tentamos - ao menos a maioria de nós - fazer hoje um pouco mais que ontem. A ideia de que nascemos prontas para a maternidade é tão bonita quanto cruel. Passado o romantismo da estreia, muitas de nós mergulhamos num sem fim de desafios e, fatalmente, de frustrações. Nenhuma de nós está pronta. Maternidade não é assim, dois mais dois são quatro. No dia a dia de mãe, também existem capítulos de cansaço, de impaciência, de fraqueza... 

Vamos, então, celebrar o cansaço. Vamos celebrar a impaciência, aqueles segundos em que você teve vontade de jogar tudo por alto, depois da sexta ou sétima tentativa de colocar o bebê no berço. Vamos celebrar o medo de errar, que faz você pensar mil vezes antes de reagir, de um jeito ou de outro, diante de uma discórdia - que acontecerá vida afora, faça você o que fizer. E vamos celebrar a verdade, a maternidade real, a mãe de carne e osso, capaz de construir relações não só eternas como também profundas e honestas. 
 
A incrível aventura da maternidade tem curvas e emoções que não fazem parte do comercial de margarina. E talvez seja essa a graça maior. Tomando fôlego aqui e ali, não há outro lugar no mundo onde eu gostaria de estar. 

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