Nem passeio, nem bolo... quero é brincar

Meus filhos ainda não entenderam o espírito comercial do Dia das Crianças. Não que estejam livres disso, nem de longe… Estão neste mundão, e sei que é uma questão circunstancial. Sorte momentânea. O mais velho faz aniversário em outubro, e embora ele já esteja se preparando para soprar sua quinta velinha, ainda não foi engolido pelo mercado e nem sabe que, nesta data, “todas as crianças” ganham presentes. Ele se concentra no próprio aniversário, na tentativa de ganhar mais um boneco de herói, e outro dia me questionou: “por que tem Dia das Crianças, mãe? Todo dia é dia das crianças, ué…” 
 
Eu poderia ter aproveitado para falar sobre a razão real (ou seria fictícia?) de se marcar uma data, tocar na (des)valorização da infância, falar da desigualdade de oportunidades, explicar que nem todas as crianças podem dizer o mesmo que ele, mas isso ainda não é papo pra nós dois. Também não caberia falar sobre o esquemão armado pra seduzir crianças e adultos e nos fazer gastar pequenas fortunas em presentes que, embora não sejam crime algum, não necessariamente vão cumprir seu papel de fazer feliz. Me limitei a concordar que, de fato, todos os dias deveriam ser da criança. “E como você acha que a gente devia comemorar o Dia da Criança, meu filho?” “Brincando, ué. A melhor coisa pra criança é brincar, mãe. Não é passear e nem comer bolo, tá?”

Ele citou o bolo porque andei fazendo uns bolos de chocolate, com cobertura e tudo, e dizendo insistentemente “olha, filho, fiz pra você”, quando na verdade quem estava querendo comer era eu. Ele nem ligou… Quando ele estava prestes a completar o primeiro aniversário e eu próxima de viver meu primeiro Dia das Crianças como mãe, comprei pra ele um elefante que joga bolinhas pro alto, que custou mais de R$ 200, porque “é presente de Dia das Crianças também”… O brinquedo levou meses para ser descoberto e nunca ocupou seu lugar de “presente especial”. Este ano, sem as “emoções da primeira vez”, comprei um quebra-cabeças pro irmão dele, que também faz aniversário este mês e ainda não sabe pedir nada. R$ 17,90. Ele abriu sábado e, desde então, monta umas sete vezes por dia. E montaria mais. Todas as vezes que termina me chama pra ver, sorrindo e batendo palmas. Grandes emoções em um pequeno tabuleiro com 12 peças…

Ainda não sei o que faremos no dia 12 (sei que não será um bolo e nem um passeio mirabolante). Pedi sugestões em casa, e o menino quer brincar com seu relógio mágico, enquanto o pequetito quer montar o “queba-beça”. “A gente precisa fazer alguma coisa diferente, mãe?” 

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