Pai, mas pai todo dia

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Quando escrevi, há dois meses, sobre os desencontros acerca do papel de pai neste nosso mundo, li muitos comentários sobre o tamanho do desafio que temos pela frente. Vi muita gente falando do quando ainda falta para chegarmos ao ponto em que os homens - e as mulheres! - tomem consciência dos deveres de cada um nessa linda e desafiadora tarefa que é cuidar de uma criança e a tornem, verdadeiramente, um projeto de parceria. Mas a grata surpresa, por outro lado, foi ler tantos depoimentos contando de gente que, sim, assume seu papel, tanto no âmbito prático quanto emocional. Existem à nossa volta milhares de pais que não, não ajudam suas mulheres - eles fazem. Cumprem sua parte e, o melhor, estão felizes da vida com isso. 

Cheia de respeito pelo que ainda temos que construir, é neste grupo que quero focar desta vez. Neste domingo, ao celebrarmos o Dia dos Pais, estaremos celebrando milhares de homens que passam noites em claro, que trocam fralda, esquentam mamadeira e dão banho depois do futebol. E o que é mais importante: sabem o valor de cada palavra, de cada beijo, de cada resposta ao sem-fim de perguntas que os pequenos nos fazem. Sabem a importância do compromisso e da presença, conhecem suas responsabilidades. Se ainda estamos longe do ideal, também estamos longe do tempo em que somente as mulheres cuidavam da lição de casa ou escolhiam a roupa pro passeio de domingo.

Pai de verdade não é aquele que chega na hora da brincadeira, que faz pose na festa de aniversário ou que abre a carteira no fim do jantar. Pai de verdade conhece o filho que tem, sabe das suas necessidades, e gasta seu tempo, na medida das suas possibilidades, na construção de um mundo melhor pra sua cria. Pai não é somente a tão falada e festejada “figura masculina”. Pai, como mãe, é imperfeito, mas não cruza os braços. No meu rol particular, tenho dois exemplos que me fazem sorrir: o primeiro é o que divide comigo toda essa aventura, pondo a mão na massa e me dando conforto e paz a cada momento que estamos com os meninos. O outro, o que me tornou apta a essa aventura, por assim dizer. Esse último, de uma geração ainda mais distante do que a nossa do ideal de parceria, é avô de pacote completo, que não se esquiva diante de uma fralda suja, nem quando a filha precisa de um apoio na noite mal dormida das crianças. 

Existem infinitas maneiras de se fazer, e meus aplausos vão para os que fazem - e pros que fizeram. As redes sociais estão cheias de exemplo dos pais heróis, modelo 2015, o que é bom, mas o melhor é que nas ruas estão milhares de homens de carne e osso, se doando, fazendo hoje um pouco melhor que ontem. Que eles se multipliquem, multiplicando junto o potencial de alegria dos seus filhos. E que nós, mães e pais dos futuros pais, saibamos fazer a nossa parte nesta conta, pra que, em poucas décadas, a parceria seja óbvia e a ajuda vire coisa do passado. Feliz Dia dos Pais!

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